Profissionais das Tecnologias da Saúde há poucos! (Relatório OCDE 2016)

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“Health Workforce Policies in OECD Countries” é um relatório de março de 2016 da OCDE.

Esta publicação analisa as principais tendências e prioridades das políticas relativas aos recursos humanos na área da saúde em todos os países da OCDE.
Descreve grandes orientações estratégicas para as políticas de atingir e o objetivo de ter o número certo e misto de prestadores de cuidados de saúde, com as habilidades certas, oferecendo serviços nos lugares certos, para melhor responder às mudanças nas necessidades de saúde da população.

Principais conclusões:

  • Portugal emprega menos profissionais nas áreas da saúde e trabalho social (8,5%) do que a média da OCDE (10,6%).

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  • Por outro lado, Portugal emprega mais médicos do que a média da OCDE. É o quarto país da OCDE com mais médicos por mil habitantes (4,3).
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  • Este relatório não apresenta um gráfico para os profissionais das tecnologias da saúde (TDTs)  mas se juntarmos a informação destes dois gráficos, podemos concluir que em Portugal existem menos profissionais das áreas das tecnologias da saúde do que a média dos países da OCDE;

  •  As profissões dos técnicos de saúde são constituídas por profissionais que se afirmam ser demasiado qualificados para o que exercem, o que indica que tem de haver um ajustamento das competências (skill-mix) às realidades formativas. Desta forma podem-se e devem-se atribuir mais competências aos técnicos de saúde e libertar os médicos de alguns papéis mais rotineiros para que tenham mais tempo para o diagnóstico e investigação.

O artigo afirma que é normal que numa fase inicial se encontrem resistências da parte dos médicos, mas já é uma realidade adoptada com sucesso em um terço dos países da OCDE, como a Finlândia, Estados Unidos e Canadá.

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Conclusão:

É necessário adaptar as realidades aos profissionais de saúde: Emprego Certos com as Competências Adequadas nos Lugares Corretos.
As regras não poderão ser tão arcaicas e estanques, deve haver um ajustamento dos papeis dos profissionais de saúde não médicos, de modo a que se possam colocar todas as suas competências ao serviço do utente e dos serviços de saúde.
Os profissionais de saúde não médicos podem fazer muito mais, competências já as têm, basta haver coragem política para implementar esta mudança. Os utentes, os profissionais e o orçamento do SNS agradecem!

Num artigo recente intitulado “Médicos há Muitos!”, o Bastonário da Ordem dos Médicos (Dr. José Manuel Silva) referiu que existem muitos médicos em Portugal e que “a falta de horas de trabalho médico no SNS deve-se à mesma razão por que faltam enfermeiros, farmacêuticos, assistentes operacionais e técnicos, etc. NÃO HÁ DINHEIRO PARA OS CONTRATAR para o SNS! Tenho pena dos doentes…”

De facto o Bastonário tem razão, Portugal emprega mais médicos do que a média da OCDE. Então mas se temos tantos médicos porque devemos ter pena dos doentes? Como seria o Serviço Nacional de Saúde com mais Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica e com mais competências? Nós sabemos: Já não seria necessário ter pena dos doentes…

Terminamos com dois excertos:

“Countries need to optimise the scope of practice of different health care providers, with a view to make the best use of their qualifications and skills”
“… enabling broader scopes of practice for non-physician providers with the required training and skills, and making greater use of  innovative health service delivery models,notably telemedicine.”
 
Nota: Documento disponível na página “Documentos”.

 

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