Centenas de Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica mostram a sua revolta frente ao Ministério da Saúde

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Ontem, 2 de novembro de 2017, realizou-se uma das maiores, senão a maior manifestação dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT).

Os sindicatos STSS e SINDITE, que juntos decretaram greve por tempo indeterminado desde as 0 horas de dia 2, organizaram esta manifestação em frente ao Ministério da Saúde. Vários elementos da APIMR estiveram presentes tal como a Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP).

Muitos estudantes universitários marcaram presença, obviamente ansiosos por verem o seu futuro profissional com péssimas expectativas, um dos estudantes tinha uma cartolina com a frase “Quatro anos a estudar é de Valorizar!”. Obviamente, que já se apercebeu que as profissões que constituem a nossa carreira, têm o pior ganho médio mensal da função pública. Inferior à de carreiras sem curso superior. Ver artigos da APIMR “A Carreira dos TDTs é a 29ª pior remunerada das 31 carreiras da função pública” e “TSDT continuam a ser a Carreira pior remunerada entre Licenciados da Função Pública

Os TSDT estão em luta contra o atraso da aprovação dos diplomas em falta da nova carreira, nomeadamente, a revisão dos conteúdos funcionais, titulação profissional, regras de transição para a nova carreira e tabelas salariais atualizadas. O Governo, ao não ter cumprido os prazos legais para a publicação destes diplomas, não cumpriu a sua responsabilidade legal, falhou o compromisso com os sindicatos e irritou seriamente os TSDT, que esperam e desesperam desde 1999 por esta nova carreira.

Almerindo Rego, Presidente do STSS acusou o Governo de estar a dirigir um processo negocial “hipócrita”, uma vez que as negociações deveriam estar a decorrer mas estão completamente paradas, defende que “chegou a hora de o ministro da Saúde dar explicações ao país” sobre o que se passa no setor que tutela. Acusou ainda o Conselho Nacional das Ordens Profissionais que, segundo o sindicalista, “protege ilegitimamente os seus interesses privados na medicina”.

Almerindo Rego lamenta que o sindicato tenha “mais dias de greve com este Governo do que em 40 anos de existência”, mas garante que a paralisação só terminará quando o Ministério da Saúde se sentar à mesa das negociações.

 

 

As fotos das manifestações

Lisboa, em frente ao Ministério da Saúde.

Foto: João Pedro Martins
Foto: Carlos Nujo

 

Em simultâneo, no Funchal, também os TSDT da ilha manifestavam sua insatisfação.

Foto: Carla Gonçalves

 

Adesão à greve

A adesão à greve, que começou esta quinta-feira, é total, com todos os exames adiados, segundo o STSS, que ressalva que os dados são ainda provisórios.

Em declarações à agência Lusa, Sara Pacheco, da direção nacional do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, disse que a estrutura sindical ainda estava a recolher dados a nível nacional, mas, já tinha informação relativa às principais unidades de saúde de maior dimensão de Lisboa, Porto e Coimbra, que indicava uma “adesão plena”, afetando todos os exames que estavam marcados.

 

Esta é a voz do povo, os cartazes da luta:

 

A opinião da APIMR

 

Este impasse negocial é completamente incompreensível. O Ministro da Saúde e o Secretário de Estado da Saúde já manifestaram inclusive que as reivindicações dos TSDT são justas. O Primeiro Ministro ainda não se pronunciou. O que é uma desconsideração para com os TSDT, uma vez que o fez durante a recente greve dos enfermeiros.

Todos os TSDT e os seus utentes reconhecem a importância destas profissões na saúde, mas os decisores políticos continuam a ignorar esta importância e a evidencia internacional de que, o aumento das competências dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica irá aumentar a eficiência do SNS. O problema é que o aumento da eficiência do SNS irá chocar com os interesses dos grandes lobbies corporativos e dos grupos privados. Tal como dizia ontem na manifestação José Abraão (dirigente da FESAP) “O Governo não pode ser forte com os fracos e fraco com os fortes”.

 

Num parecer recente do Tribunal de Contas consta o seguinte:

 

Na semana passada, Jorge Simões presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS) refiriu que “que existem no SNS cerca de 40 mil médicos e de que o sistema não precisa de muitos mais médicos, mas sim de mais enfermeiros, farmacêuticos e TSTD, para praticarem atos médicos e de que o reordenamento de tarefas médicas pode beneficiar profissionais de saúde, contribuintes e doentes

A Ordem dos Médicos não perdeu tempo e rebateu presidente CNS com preciosidades como esta: “No limite, ao pretender que a medicina seja realizada por outros profissionais de saúde que não médicos, o presidente do CNS está a promover a existência de doentes de primeira e segunda categoria consoante a sorte e possibilidades de cada um

 

Pareceres recentes da OCDE estão alinhados com a posição de Jorge Simões. Em Portugal existem demasiados médicos/1000 habitantes e estes realizam tarefas que podem e devem ser realizadas por outros profissionais de saúde.

 

Resumindo: Temos a evidência e a razão do nosso lado mas não temos políticos com força e vontade para enfrentar os grandes lobbies corporativos e grupos privados.

A APIMR defende e luta por se realizar uma verdadeira reforma do SNS, onde os vários grupos profissionais devem existir nos sistemas de saúde em número proporcional às necessidades dos utentes, de acordo com as mais recentes guide-lines nacionais e internacionais e não de acordo com as pressões que cada Ordem/lobbie exerce sobre o poder político.

 

 

 

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