Radioterapia e Doentes Ostomizados

 

Na sequencia da parceria com a SOS Oncológico, a APIMR, elaborou um artigo acerca da Radioterapia e Doentes Ostomizados, de modo a contribuir para a aproximação dos utentes e profssionais e ao mesmo tempo contribuir para aumentar a literacia em Saúde.
Hoje escrevo com o objetivo de promover o conhecimento de uma realidade, que afeta pessoas que por motivo de acidente ou doença oncológica, tem que ser submetidas a um procedimento cirúrgico designado como estoma, ou seja, a criação de uma abertura feita intencionalmente para fazer comunicar órgãos ocos como a traqueia, o esófago, o estômago, o intestino, a bexiga com o exterior ou com outro órgão oco.
Dirijo-me a todos aqueles que se encontram neste novo caminho e para “todos os companheiros de viagem” interessados em apoiar as pessoas com ostomia. Tenho a convicção que um trabalho integrado e continuo das equipas de saúde e grupos de suporte como o SOS oncológico podem melhorar a adaptação e qualidade de vida por forma a esclarecer algumas questões, permitir ao paciente ganhar confiança e segurança em si próprio.
Na adaptação da nova realidade a pessoa com ostomia enfrenta várias situações ao longo do tempo, desde o diagnóstico, à intervenção cirúrgica e por vezes à necessidade de realizar tratamentos de Quimioterapia e Radioterapia. Questões como: Tenho que realizar Radioterapia e agora? geram ansiedade que são perfeitamente compreensíveis, dado que por um lado não conhecem os tratamentos de Radioterapia por outro surgem perguntas relacionadas com os cuidados a ter com o dispositivo de ostomia.
A Radioterapia é um método de tratamento que consiste na administração de doses de radiação cuidadosamente calculadas para cada caso clínico, semelhante aos Raios X normalmente através de um equipamento chamado acelerador linear, com o objetivo de irradiação das células malignas destruindo-as e impedindo que estas se reproduzam. Contudo, é inevitável a irradiação de tecidos/órgãos sãos que se encontram na área envolvente da região a tratar, produzindo assim efeitos na zona anatómica que entra em contacto com a radiação.
O tratamento é indolor e demora entre 10 a 15 minutos diariamente, no qual a pessoa permanece confortavelmente deitada na mesa de tratamento preparada de forma personalizada para cada paciente, enquanto isso os técnicos de radioterapia (radioterapeutas) vigiam/comunicam com o doente durante o tratamento, através de um sistema de videovigilância. Periodicamente são realizadas radiografias(ou cortes de TAC) da região de tratamento para verificação, aumentar a precisão/segurança e acompanhamento de alterações decorrentes do tratamento.
Numa primeira consulta, o Médico Radioncologista explicar-lhe -á como será o seu tratamento (cada doente e cada caso são diferentes), e possíveis efeitos secundários que poderão diferenciar consoante a região do corpo a ser tratada.
A gestão dos cuidados ocorre mediante cada efeito secundário, reconhecendo um reforço dos cuidados na região tratada com base nas indicações e ensinamentos da equipa de Radioterapia e cuidados de enfermagem.
Em suma, durante o processo de tratamento o doente pode contar com os diversos profissionais de saúde (médico radioncologista, radioterapeuta, enfermagem), pois desta forma e através de um diálogo franco e honesto, é possível identificar dúvidas e gerir todas as emoções, aprendizagens ao nível dos cuidados de higiene/conforto e promover a adesão terapêutica.
Com uma atitude realista e positiva os nossos viajantes e “companheiros de viagem” deve dar-se tempo a si próprios para se ajustar e ser acompanhado, promovendo assim a esperança e confiança nas terapêuticas.
Magda Ramos, Radioterapeuta na Clínica de Radioncologia do Algarve – Joaquim Chaves Saúde;
Professora na ESSUAlg, Membro da Associação Portuguesa de Imagiologia Médica e Radioterapia

*Parceria entre a APIMR e SOS ONCOLÓGICO

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